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PARA OS PAIS

QUANTO TEMPO DE TELA É RECOMENDADO PARA CADA IDADE?

2026 · ⏱ 5 min de leitura
QUANTO TEMPO DE TELA É RECOMENDADO PARA CADA IDADE?
CELULAR, TABLET, TV E VIDEOGAME: O QUE OS PAIS PRECISAM SABER Celular para distrair durante uma refeição, desenho enquanto os pais resolvem alguma coisa, videogame depois da escola e vídeos antes de dormir. As telas entraram definitivamente na rotina das famílias — e, muitas vezes, o tempo total de exposição é maior do que parece. Mas afinal, quanto tempo de tela é recomendado para cada idade? A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece limites de referência e reforça que, principalmente nos primeiros anos de vida, não basta apenas controlar o relógio. É preciso considerar também o conteúdo, a supervisão dos adultos, o momento em que a tela é utilizada e, sobretudo, o que ela está substituindo na rotina da criança. MENORES DE 2 ANOS: EVITAR TELAS A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é clara: crianças menores de 2 anos não devem ser expostas às telas, nem mesmo passivamente. Nos primeiros anos de vida, o cérebro está em intenso desenvolvimento. A criança precisa olhar para rostos, ouvir pessoas falando diretamente com ela, tocar objetos, movimentar o corpo, brincar e explorar o ambiente. Nenhum vídeo, por mais educativo que pareça, substitui essas experiências. Em documento divulgado em 2025 sobre a primeira infância, a SBP voltou a recomendar que aparelhos digitais sejam totalmente evitados para menores de 2 anos. DOS 2 AOS 5 ANOS: ATÉ 1 HORA POR DIA Nas orientações gerais da SBP, crianças entre 2 e 5 anos devem ter o tempo de tela limitado a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão dos pais ou responsáveis. Há uma atualização importante: em documento de 2025 especificamente dedicado à primeira infância, a SBP destacou a recomendação de até uma hora por dia entre 3 e 6 anos. Portanto, existem pequenas diferenças de faixa etária entre documentos da própria entidade. O ponto em comum é inequívoco: durante a primeira infância, a exposição deve ser pequena, controlada e acompanhada por adultos. DOS 6 AOS 10 ANOS: DE 1 A 2 HORAS POR DIA Para crianças entre 6 e 10 anos, a orientação geral da SBP é de uma a duas horas de telas por dia, no máximo, sempre com supervisão. Nessa idade, porém, surge outra questão importante: a tela começa a disputar espaço com atividades fundamentais para o desenvolvimento. Brincadeiras, leitura, esportes, tarefas escolares, convivência familiar e sono não deveriam ser deixados de lado para aumentar o tempo no celular, tablet, televisão ou videogame. Por isso, observar apenas o número de horas pode não ser suficiente. DOS 11 AOS 18 ANOS: DE 2 A 3 HORAS POR DIA Para adolescentes entre 11 e 18 anos, a recomendação geral da SBP é limitar o uso recreativo de telas a duas ou três horas por dia e evitar que o adolescente passe a noite conectado ou jogando. Nessa fase, diferenciar os tipos de uso se torna ainda mais importante. Pesquisar um trabalho escolar, produzir um vídeo, conversar com familiares e passar horas rolando vídeos curtos são atividades realizadas diante de uma tela, mas não representam necessariamente a mesma experiência. Os responsáveis precisam observar não apenas quanto tempo o adolescente permanece conectado, mas também o que faz durante esse tempo. RESUMINDO: QUANTO TEMPO DE TELA PARA CADA IDADE? De acordo com as orientações gerais da Sociedade Brasileira de Pediatria: Menores de 2 anos: evitar telas. 2 a 5 anos: até 1 hora por dia. 6 a 10 anos: de 1 a 2 horas por dia. 11 a 18 anos: de 2 a 3 horas por dia. E atenção: esses números não são metas. Se uma criança pode passar até uma hora diante das telas, isso não significa que precise utilizar essa hora todos os dias. Quanto menor o tempo de exposição — especialmente na primeira infância — maior será o espaço disponível para experiências no mundo real. NÃO DEIXE CRIANÇAS PEQUENAS SOZINHAS DIANTE DAS TELAS Uma das orientações reforçadas pela SBP em 2025 merece atenção especial: crianças pequenas não devem ficar sozinhas diante das telas. A presença de um adulto permite selecionar conteúdos, conversar sobre aquilo que aparece, perceber reações da criança e impedir o acesso a materiais inadequados. Além disso, plataformas digitais utilizam sistemas de recomendação capazes de levar rapidamente de um conteúdo para outro. Uma criança pequena ainda não possui maturidade para avaliar sozinha aquilo que está vendo. O PROBLEMA NÃO É APENAS O NÚMERO DE HORAS Imagine duas crianças que passaram 40 minutos diante de uma tela. Uma assistiu a um conteúdo adequado ao lado dos pais, conversou sobre aquilo e depois foi brincar. A outra passou o mesmo período sozinha, alternando rapidamente entre dezenas de vídeos escolhidos por um algoritmo. O relógio registrou exatamente o mesmo tempo. A experiência, porém, foi completamente diferente. É por isso que as orientações atuais sobre saúde digital consideram também o conteúdo consumido, o contexto de utilização, a idade da criança e a presença dos responsáveis. O QUE O EXCESSO DE TELAS PODE CAUSAR? A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o uso precoce, excessivo ou desregulado de telas pode estar associado a diferentes prejuízos. Na primeira infância, a entidade chama atenção para superestimulação visual e auditiva, alterações comportamentais e risco de dependência digital. Também aponta associações entre exposição excessiva e dificuldades emocionais, cognitivas e sociais. Isso não significa que uma criança desenvolverá necessariamente um problema porque ultrapassou determinado limite em um dia. O risco deve ser compreendido dentro de um conjunto de fatores: frequência, duração, idade, conteúdo, rotina e contexto familiar. TELAS NÃO DEVEM ROUBAR O SONO Existe uma pergunta que pode ser ainda mais útil do que simplesmente contar minutos: O que a tela está tirando da vida da criança? Se o celular começa a ocupar o lugar do sono, da atividade física, das brincadeiras, das conversas, da leitura ou das refeições em família, existe um sinal importante de desequilíbrio. A SBP recomenda evitar telas próximo ao horário de dormir e estabelecer uma rotina de desconexão. Ler um livro, conversar, ouvir música tranquila ou realizar outras atividades relaxantes pode ajudar a preparar a criança para o sono. CELULAR DURANTE AS REFEIÇÕES? MELHOR NÃO Usar vídeos para fazer uma criança comer pode parecer uma solução prática, principalmente nos dias mais corridos. Mas transformar a tela em presença constante durante as refeições cria um hábito difícil de desfazer. As refeições também são momentos de convivência, percepção dos alimentos e interação familiar. A recomendação é preservar esses períodos, sempre que possível, como momentos sem dispositivos digitais. E O EXEMPLO DOS PAIS? Existe uma contradição bastante comum dentro de casa: pedir que a criança largue o celular enquanto os adultos continuam olhando para os próprios aparelhos. Crianças aprendem regras, mas também aprendem observando comportamentos. Criar horários e ambientes sem telas para toda a família costuma ser mais coerente do que estabelecer limites exclusivamente para os filhos. Uma regra como “ninguém usa celular durante o jantar” é muito diferente de “você não pode usar, mas eu posso”. A NOVA LEI DE PROTEÇÃO DIGITAL O debate ganhou ainda mais importância no Brasil com a sanção da Lei nº 15.211, de 17 de setembro de 2025, que estabeleceu obrigações voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A Sociedade Brasileira de Pediatria destacou que a nova legislação reforça uma discussão que a entidade já vinha promovendo sobre segurança digital, responsabilidade das plataformas e necessidade de maior proteção aos menores de 18 anos. A legislação, porém, não substitui o papel das famílias. Nenhuma ferramenta de segurança consegue substituir completamente acompanhamento, diálogo e educação digital. MAIS IMPORTANTE DO QUE PROIBIR É ENSINAR As telas farão parte da vida das crianças. Por isso, o objetivo não deve ser simplesmente criar uma guerra diária contra celulares, tablets e videogames. O desafio é ensinar progressivamente a criança a utilizar a tecnologia sem permitir que ela ocupe o lugar de tudo aquilo que nenhuma tela consegue oferecer: contato humano, movimento, imaginação, natureza, brincadeiras, experiências reais e vínculos afetivos. Talvez a pergunta mais importante não seja apenas: “Quanto tempo meu filho pode ficar na tela?” Mas também: “Quanto da infância dele ainda está acontecendo fora dela?” MENOS TELA, MAIS DESCOBERTAS Reduzir o tempo de tela fica muito mais fácil quando a criança encontra algo interessante para colocar no lugar. Os livros do Universo Cultura Kids foram criados justamente para despertar essa curiosidade. Por meio de histórias, viagens, biografias, ciência, cultura e grandes descobertas, as crianças são convidadas a explorar o mundo longe das telas — lendo, imaginando, fazendo perguntas e descobrindo coisas novas. Porque tirar uma tela das mãos de uma criança é apenas o começo. O mais importante é colocar diante dela um mundo que valha a pena descobrir. FONTES Sociedade Brasileira de Pediatria — orientações sobre saúde digital e tempo de telas. Sociedade Brasileira de Pediatria — Nova lei sobre proteção digital reforça recomendações da SBP para a Primeira Infância, publicada em 18 de setembro de 2025. Governo Federal — Crianças, Adolescentes e Telas: Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais, lançado em 2025. Este artigo possui caráter informativo e não substitui a orientação individual de um pediatra.